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Abrir mão da essência é desvincular-se de si mesmo




Abrir mão do que tu acreditas, para agradar quem quer que seja, não é correto. O ato de agradar deve ser um ato espontâneo, não por obrigação. Abrir mão da essência é desvincular-se de si mesmo, é condenar-se à infelicidade. Submeter-se a caprichos alheios para sentir-se querida e aceita, verdadeiramente não a fará sentir-se amada e sim, submersa a uma exaustão infindável, frustração.

Quantas pessoas se sentem cansadas de viver? Não que almejem a morte, mas sentem-se cansadas da vida. E por que será? Porque vivem em contrariedade, porque não conseguem sobrepor suas vontades, porque não sabem dizer NÃO.

Muitas pessoas não conseguem dizer NÃO, consideram extremamente difícil, propriamente impossível. Foram programadas à submissão e jamais se permitirão decidir até mesmo sobre suas próprias vidas.

Sempre digo que a diminuição do número de filhos nas famílias da atualidade, é sim, o maior progresso da humanidade. Aquelas famílias enormes do passado, casais com extensa prole, formando a meu ver, clãs de atmosfera insalubre, deprimente.

Irmã mais velha não tinha infância, pois era dela a incumbência de cuidar dos irmãos menores. Com sete anos já subia num banquinho para alcançar a pia e o fogão, mesmo com tão pouca idade já assumia tarefas domésticas. Irmã mais velha era então a cuidadora, a babá e sem dúvida, a verdadeira mãe... Enquanto ela se dedicava a criação dos infantes, a mãe biológica continuava a procriar, a parir. A mãe biológica continuava a anular a filha mais velha, a fazendo crescer como um ser inexistente.  A irmã mais velha de dez, quinze irmãos, era um ser humano fadado a se contentar com o pouco, pré-destinada a não ter escolhas. Então me vem a pergunta: Como educar uma criança para ser infeliz? Resposta: - Casal com poucos recursos financeiros se reproduza como os coelhos, isso basta!

Além da escravidão da irmã mais velha nos tempos de outrora, havia um tipo de asfixia nas famílias imensas. Todos cresciam repetindo os atos uns dos outros, como se as pessoas não fossem seres individuais com suas peculiaridades. Havia uma repetição de passos, se tornavam um tipo de marionete das regras ditadas pelos antepassados, todos viviam num molde, raros os que se sobrepunham aos paradigmas.

Quando me deparo com seres humanos infelizes, penso que vale a pena lutar para ultrapassar todas as barreiras impostas e ignorar qualquer crítica ou incompreensão. Afinal, todos em algum momento, seremos injustiçados, seremos censurados, inclusive se formos submissos, ninguém escapa das maledicências nem mesmo do clã familiar.

Verdadeiramente não é fácil romper paradigmas, se faz necessário muita força interior, pois assumir uma postura diferente do grupo ao qual estamos inseridos desde o nascimento, é quase um suicídio para quem não possuir suficiente resistência. Sendo assim, quem tiver coragem que siga sua luz e quem não tiver, que permaneça onde está, pois assumir ter pensamentos distintos é como decretar uma revolução. 

Foram incutidos em nós inúmeros deveres, fomos programados para sermos obedientes, servis. Nossos pais não enfatizaram em momento algum que éramos seres especiais e que em primeiro lugar tínhamos que amar e respeitar a nós mesmos, não nos apresentaram direitos. Penso que se nos educassem assim, o amar e respeitar os outros aconteceria naturalmente, sendo que somente podemos oferecer ao próximo o que possuímos, nada além.  Para conhecermos os outros temos antes que ter consciência do que somos, o autoconhecimento gera empatia. O planeta terra seria um bom lugar, não este antro de dissimulações onde vivemos hoje, onde antes de tu pensares em ser feliz, deves pensar em "parecer" sociável. 



Por Lu Scheffelbain

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ao nome da autora Lu Scheffelbain  e ao blog http://eulunaluz.blogspot.com/



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