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BELCHIOR... Iluminado demais para viver nesse mundo.



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Faço minhas as palavras de Krishnamurti: "Não é sinal de saúde estar bem ajustado a uma sociedade doente". Há pessoas que não conseguem se encaixar, não possuem aquele "joguinho de cintura"... Outras, talvez até consigam, mas não se permitem ir contra seus valores, preferem estar bem com sua consciência a ter que fingir. Lamentavelmente, a hipocrisia como uma epidemia já contaminou, inclusive, o clã parental. Para quem é avesso a dissimulações, convenhamos, impossível não querer "sumir". Não é atoa que as canções de Belchior foram muito ouvidas, cantadas e se perpetuaram. O sucesso que ele obteve nos palcos foi resultado de entrega, não de encenação. Tanto ele como outros artistas que já se foram, ficaram para sempre presentes em nossas memórias porque não se utilizavam de máscaras. No palco ou fora dele, eram as mesmas pessoas. Somente pessoas autênticas deixam marcas positivas, despertam em nós os melhores sentimentos, até mesmo a quem nunca as conheceu pessoalmente. Quem dança conforme a música "passa batido", é apenas mais um medíocre, cínico, que faz de um tudo para se dar bem... Comportamento tão comum, que são esquecidos junto a outros tantos iguais, pois eles podem mentir, mas a energia deles não. Belchior levava na mente uma canção do rádio em que um antigo compositor baiano lhe dizia que tudo é divino, tudo é maravilhoso. Estou convicta que ele incessantemente buscava esse lugar, onde tudo é divino e maravilhoso. Um lugar onde as pessoas se olham nos olhos e sorriem com verdadeira amorosidade, desejam o bem umas às outras, se aproximam motivadas apenas pelo bem querer... Um lugar justo, livre de preconceitos, conchavos, jogos de interesse. Por incrível que possa parecer, mesmo que vivamos num mundo de aparência, há pessoas que optam por viver na sua essência, seguindo a voz do coração, a voz da alma. E por mais incrível ainda que possa parecer, há pessoas que optam por verdadeiramente viver e não encenar. Porque aplausos, holofotes e tapinhas nas costas não lhe suprem, não são suas necessidades. Não penso que Belchior se isolou por ter muitas dívidas, sendo que poderia quitá-las com um único show. Não vejo o comportamento de Belchior como depressivo, penso que ele buscava incansavelmente sua paz, priorizava conviver com quem sentia real sinergia. Quem é de verdade, não consegue viver em meio a mentiras. Ainda mais Belchior que, como todos os poetas, jamais se adequaria a um estilo de vida e ao convívio com pessoas superficiais. Quando se é profundo se quer profundidade e não havendo essa possibilidade no grupo ao qual estava inserido, ele não viu outra saída a não ser seguir sem destino certo, usando como mapa apenas a intuição. Foram muitas partidas e chegadas e sua última viagem não poderia ser diferente, tinha que ser poesia pura, autêntico até nessa hora... Fazer a "passagem" dormindo ao som de música clássica é coisa de espírito elevadíssimo, só tendo muito merecimento mesmo. Não me canso de dizer: "Fomos educados para sermos sociáveis e não felizes". Contudo, há quem desobedeça e se rebele, assim como Belchior. Espírito este tão evoluído que foi forte a ponto de não se permitir corromper e ao qual reverencio. 


- Lu Scheffelbain -

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ao nome da autora Lu Scheffelbain  e ao blog http://eulunaluz.blogspot.com/


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