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A Cabra e o Asno - Fábula de Esopo






Viviam numa fazenda uma cabra e um asno livres e tranqüilos, a desfrutar das benesses da vida e do bem comum. Embora fossem de espécies diferentes, quem os visse juntos o tempo todo poderia dizer que eram da mesma linhagem, bon vivants alegres e saltitantes.

Comiam um capim muito bom, tenro e macio, bebiam água fresquinha da fonte límpida da fazenda, serviam-se do mesmo forro no curral para um sono olímpico e passeavam pelas mesmas relvas verdolengas das colinas circundantes. Não se tinha notícia de que os dois animais houvessem brigado ou discutido por qualquer motivo.

Mas, num belo dia, a cabra começou a enciumar-se do asno, pois percebeu que o fazendeiro dava ao amigo um melhor capim e oferecia-lhe uma água mais apetitosa. E essa inveja cresceu tanto que a cabra decidiu livrar-se do companheiro.

- Estás trabalhando demais, - disse-lhe a cabra - conhecendo muita gente, te envolvendo muito com coisas que não são da tua alçada. Tire umas férias e divirta-se mais.

- Ah, mas como poderei conseguir que isso me aconteça? - Perguntou o asno, com a habitual cara de tanso.

- Ora, dê informações duvidosas, espalhe fofocas por aí, diga, por exemplo, que o poço de água não é tão profundo e jogue-se nele.

O asno, sem muito o que pensar caiu na conversa da cabra, espalhou a notícia e jogou-se no poço. Porém, esborrachou-se, enganado que foi pela cabra, caindo nas profundezas daquele buraco.

Contudo, foi salvo pelo fazendeiro, que o tirou de lá todo machucado e chamou um veterinário para tratar de seus ferimentos. Entretanto, a cabra sem perceber o salvamento, começou a berrar caracteristicamente:

- Vejam que burro, esse asno! Diz as bobagens que diz e ainda se estrepa. É preciso ser muito asno pra isso.

O fazendeiro, porém, sem se incomodar com as bobagens proferidas pela cabra, e satisfeito pelo veterinário ter cuidado muito bem de seu bichinho, resolveu preparar um belo churrasco. Para tanto, mandou matar a cabra que já o incomodava e andava era muito bem gordinha e serviu o apetitoso almoço ao doutor dos animais.

Moral da história: a maldade, quando é demais, acaba atingindo quem a criou.
Ou, melhor ainda, em terra de asno, a cabra que se cuide.



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